Xangai virou a capital dos cafés especiais — e o mundo inteiro está de olho
Por: Daniel Rocha
Já imaginou uma cidade com mais de 9 mil cafeterias, onde o café é servido até em pimentão verde ou copo de pão naan? Pois é, Xangai virou a capital dos cafés especiais e transformou o consumo de café em um verdadeiro evento cultural que une criatividade, tradição e inovação.
Nos últimos 10 anos, o consumo de café na China cresceu quase 150%, e a previsão é de que o país atinja 6,3 milhões de sacas em 2024/25. E no coração dessa revolução está a cidade de Xangai, que se consolidou como a capital mundial dos cafés especiais.
Por lá, não é só sobre beber café. É sobre experimentar, fotografar, socializar e até filosofar com a bebida. E o melhor? Tudo com muita criatividade, identidade local e um toque moderno que conquista até os mais puristas.

Criatividade é o ingrediente secreto
Se você pensa que já viu de tudo quando o assunto é café, Xangai vai te surpreender. A cidade mistura arte, alquimia e ousadia em receitas que mais parecem saídas de um laboratório.
- Affogato com base de tofu fermentado
- Latte servido dentro de um pão naan
- Café com suco de laranja, abacaxi, melancia ou damasco
- O icônico “dirty coffee”, que muda o sabor a cada gole
Essa nova cultura do café na China aposta na surpresa, na experiência sensorial e, claro, na vontade de compartilhar tudo nas redes — especialmente no Xiaohongshu, o “Instagram chinês”.
Aliás, se você quiser explorar também uma das variedades mais desejadas do mundo, não deixe de ver esse guia: Café Geisha: como preparar essa raridade do jeito certo.
Quando o café vira coquetel (e filosofia)
Em Xangai, o café ganhou status de experiência gourmet. E isso vai muito além de um bom expresso.
No O.P.S., uma cafeteria minimalista, você espera na fila por uma hora para tomar um coquetel de café servido com espuma de coco e sal de yuzu. Tudo vem com um cartão poético descrevendo os sentimentos da bebida.
Outros lugares, como o Captain George Flavor Museum, tratam o café como ciência e arte. Alguns grãos chegam a custar US$ 38 a xícara — e são servidos com termômetros e fichas de degustação.
As cafeterias em Xangai têm hora pra bombar
Curiosamente, o café em Xangai costuma fazer sucesso à tarde. O pico é entre 15h e 17h, e muitas cafeterias nem abrem antes das 9h. É o oposto do que acontece em países como a Itália, onde o cappuccino é quase um ritual matinal — como mostra esse artigo super curioso: Por que italianos só tomam cappuccino pela manhã?.
Mesmo nas grandes redes, como a Luckin ou a Cotti, o café ganha versões ousadas com pistache, gergelim preto, durian e até arroz fermentado. É visual, criativo e, muitas vezes, tiktokável.
E falando nisso, você já viu as tendências de café que bombam na Geração Z? Algumas vieram direto da China!
Café, cultura e identidade local
Mais do que uma bebida, o café em Xangai virou forma de expressão cultural. Cafeterias estão apostando em ingredientes locais, como vinagre envelhecido, pimenta Sichuan, ervas medicinais e arroz chinês, para criar bebidas únicas.
Esse olhar para a origem também se reflete na valorização dos grãos. Se você ainda tem dúvidas sobre os tipos e como escolher o ideal para o seu gosto, vale a pena conferir: Grãos de café: o guia descomplicado que todo mundo deveria ler.
Um futuro com gosto de café especial
Com eventos como o Shanghai Jing’an World Coffee Culture Festival, que atrai mais de 50 mil pessoas, fica claro que a cidade não está apenas seguindo tendências — ela está criando o futuro do café.
Da próxima vez que pensar em um destino criativo e fora do comum, lembre-se: Xangai é o lugar. E o café? É só o começo.
Agora me conta: qual dessas bebidas você toparia provar primeiro?
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Daniel Rocha
Engenheiro, mineiro e ciclista, encontrou no café uma nova rota de exploração. Une precisão técnica e sensibilidade para desvendar os segredos de cada grão — porque uma boa xícara, assim como um bom pedal, é feita de detalhes.
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